quinta-feira, 9 de julho de 2015

Até já

Lembro-me de ti quando me penteio e oiço dizeres "adoro o teu cabelo curto". Lembro-me de ti quando visto o vestido das riscas e as palavras "quase se vê o teu rabo" não me saem da cabeça. Oiço-te quando entro na sala e vejo a fotografia da Mafalda "troca aquela foto que nem parece ela", -"Prometo que vou mudar", respondo em voz alta para que me oiças bem. Sorrio quando penso nas sapatilhas da Joana e te imagino a refilar com "as sapatas trombudas". Vejo-te a ti quando olho para o relógio no pulso da minha irmã.
Sabes mãe, fazes-me falta. Aliás, fazes-nos falta. A todos.
Os sorrisos, os piropos, as resmunguices e o "nunca se lembram dos recados todos". Fica sabendo que continuamos a não nos lembrar.
A semana passada fiz anos. Lembrei-me de tudo o que me contaste sobre esse dia há 35 anos atrás: as dores, a fome, os bolos e a aspirina que não te deram. E senti o orgulho que sentes em mim.
Entre os muitos que fizeram questão de estar comigo no dia 1, uns ao meu lado outros em coração, a tua presença foi fundamental. Até tive um bolo, mãe.
Pego no telefone imensas vezes para te ligar, penso ainda mais vezes em te contar tudo, falo em ti no presente. Sempre no presente. Porque és minha mãe e amor de mãe é para sempre.
Bem-haja por tudo.
Até já mãe, minha mãe...

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